quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Chegámos...
Mas quem me dera não termos chegado nunca. Foi este o primeiro pensamento que me ocorreu mal avistei o dito restaurante que tão bem procurei para o agradar.
Subimos a rua ingreme depois de termos passado pela praça da Alegria. Para o meu "navegador de bordo" pouco importava onde tinhamos chegado...o seu sorriso denunciava-o, tinha andado a preparar alguma e estava mais interessado no meu porta-bagagens do que propriamente em me guiar pelas ruas estreitas.

É aqui...
Gelei por dentro. Senti-me a falhar a não corresponder às suas expectativas. A culpa foi do neon que iluminava o nome do dito restaurante. Branco sujo, encardido...o que me fez esmorecer por dentro. Queria tanto agradá-lo com a escolha certa, surpreendê-lo e parecia que tinha falhado redondamente. A preocupação não era tanta com a qualidade do que iriamos saborear, era o ambiente a atmosfera em que nos iriamos recolher, esconder.
Saimos do carro e ao invés de me aconchegar nos seus braços vi-o a afastar-se, a ausentar-se para um canto recolhendo-se com o telemóvel na mão e com um passo apressado.
Ok, vou espreitar...
Espreitei pela janela grande do restaurante semi-vazio e conclui que a escolha não tinha sido de todo desapropriada. Quando chegou perto de mim, beijou-me acarinhou-me e confessou a surpresa que me tinha preparado. Não chegou a tempo, chega depois...as atitudes contam mais que um atraso.
Descemos em direcção à Baixa, eu recompondo-me do meu susto e tu com uma persistência doentia, como o telemóvel em riste, pronto a matar alguém.
Coliseu, Praça da Figueira, Praça do Comércio, Chiado...passeamos de mãos dadas misturando-nos no ritmo apressado do final do dia na Capital. Apesar do vento gelado aqueciamo-nos mutuamente como aqueles apaixonados casais que parecem estar a re-encontrarem-se após semanas de separação. Mas sempre fomos assim, queremos dar mais lume à fogueira, sempre mais...
Subimos pela rua do elevador da Glória, não sem antes termos desfrutado da imagem do castelo sobre a cidade, do elevador de Sta. Justa, e de todas as maravilhas que a capital tem para nos oferecer.
Entrámos...Inauguramos o restaurante e fomos brindados pelo chef com uma flor na mão. O lugar recatado esperava-nos com um candeeiro pronto a iluminar as nossas mãos que se entrelaçavam por cima da mesa. Afinal tinhamo-nos um ao outro, que interessava o resto. Por sorte descobri o lugar mais bonito para podermos celebrar a data, o suficientemente belo para poder arrancar do teu rosto um sorriso sentido.

amo te
meu amor..
como daqui até aí, ir e vir muitas vezes

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